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Ouro dentro da cabeça [resenha de livro]

Atualizado: 23 de mai. de 2023

Fazia bastante tempo que eu queria ler o livro "Ouro dentro da cabeça", escrito pela Maria Valéria Rezende e premiado com 3º lugar na categoria Juvenil do Prêmio Jabuti 2013. O livro foi publicado pela YellowFante, selo da editora Autêntica, e foi me enviado pela própria editora, gratuitamente, para avaliação. Para quem não sabe, é possível pedir o envio de livros para análise no site da editora. Você recebe o livro em casa e, depois de lê-lo, escreve uma avaliação no site. Além disso, a Autêntica oferece desconto de 30% para os professores cadastrados. Para fazer seu cadastro, acesse este link.

Neste livro, o personagem principal, que nasce sem nome e sem família, sai de sua terra natal em busca da realização de um sonho: aprender a ler e a escrever. Para isso, percorre diversas regiões do país e, em cada canto, é enganado ou explorado. Como a própria autora escreve na apresentação do livro, essa história gira em torno de um tema que lhe é muito caro: a alfabetização. Desde os 15 anos, Maria Valéria Rezende se dedica a alfabetização de jovens e adultos do país e luta para garantir a todos o acesso a este que é o único ouro que se guarda dentro da cabeça - daí o nome do livro.


Característica comum a alguns livros desta escritora, neste ela também aproveita da ficção para discutir aspectos da história e da cultura brasileira. Durante as andanças do protagonista, a história fala de escravidão, resistência negra, reforma agrária, trabalho escravo, mineração e garimpo, exploração ambiental e construção civil. Ufa! Nem parece que o livro tem apenas 104 páginas.


O tamanho do livro também é uma de suas vantagens: como é curtinho, pode ser lido durante as aulas, então é um ótimo livro para ser adotado por escolas que não têm condições de comprar um exemplar por aluno.


Além das questões temáticas e de enredo, o livro permite ótimas análises linguísticas, pois Maria Valéria Rezende tem uma escrita bem poética. Além disso, o livro é narrado por um protagonista analfabeto do interior do país e as escolhas sintáticas e lexicais da autora refletem essa realidade. Com certeza, é um bom livro para ser lido e estudado na escola.


Como aviso de conteúdo sensível: na p. 35 há o trecho abaixo, que descreve uma ereção do protagonista (quando vê as meninas da vila nadando no riacho). Embora seja tudo bem sutil, de modo a não se tornar inadequado para a leitura escolar, vivemos um momento em que, cada vez mais, famílias tentam censurar a leitura de determinados livros (você viu essa notícia: Pais de escola particular em SP veem erotização de Anne Frank em livro usado em aula de inglês?), por isso achei bom avisar. Aproveito para lembrar (caso ainda não saiba): Maria Valéria Rezende é freira.

Foi só então que reparei, creio que a primeira vez, nos peitinhos da menina começando a se empinar. Arrepiei-me ao sol quente como se tivesse frio, fiquei olhando pra aquilo, meu corpo se endurecendo e uma coisa acontecendo no meio das minhas pernas como se fosse uma dor, e eu parado feito pedra no meio da correnteza. (p. 35)

Veja, abaixo, a leitura de um trecho do livro.


 

Na seção PARA LER NA ESCOLA, você vai sempre encontrar resenhas de livros literários (também conhecidos como paradidáticos) que são adequados para ler com os alunos do Ensino Fundamental 2. Também haverá sugestões de atividades, exercícios e temas que podem ser trabalhados com os alunos durante a leitura.

 

OURO DENTRO DA CABEÇA

Maria Valéria Rezende

Lançado em 2020, 104 p.

Editora YellowFante


História de um lutador que correu sérios perigos e andou o Brasil inteiro tentando achar um tesouro nem de prata nem de ouro: de coisa mais preciosa. No fim de longa jornada, que valeu uma vida inteira, quando ele estava perdido, sem saber por onde ir, foi que encontrou o tesouro na frente de suas vistas, onde o olho desprevenido só vê miséria e tristeza.


Indicado para: 9º ano e Ensino Médio.

Temas: analfabetismo, desigualdade social, escravidão, exploração ambiental, mineração, resistência negra, reforma agrária, trabalho escravo.

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