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O Dia dos Namorados é o puro suco do marketing? Como transformar a data em atividades potentes

  • Foto do escritor: Jaqueline Souza
    Jaqueline Souza
  • há 11 minutos
  • 3 min de leitura

Enquanto boa parte do planeta comemora o Valentine’s Day em 14 de fevereiro, o Brasil celebra o Dia dos Namorados em 12 de junho. Mas você já parou para pensar no verdadeiro porquê dessa escolha? Longe de qualquer romantismo histórico, a nossa data nasceu de um plano genial de marketing em 1948. Junho era historicamente um mês fraco para o comércio paulista. Foi então que o publicitário João Doria teve a ideia de criar uma data comercial no dia 12, estrategicamente posicionada na véspera do dia de Santo Antônio, o famoso santo casamenteiro. O slogan da época dizia: "Não é só com beijos que se prova o amor". Deu super certo, o comércio estourou e a tradição se consolidou.


Que tal usar esse contexto real e intrigante para gerar reflexão, senso crítico e muito engajamento na sala de aula? Em vez de focar apenas no aspecto romântico — que muitas vezes divide opiniões entre os jovens —, podemos transformar o dia 12 de junho em um prato cheio para a pesquisa, a criatividade e o desenvolvimento da empatia.


Abaixo, compartilhamos três propostas práticas de trabalho que dialogam diretamente com as habilidades de Língua Portuguesa.


1. Investigação Global e Análise Cultural

A primeira proposta foca na pesquisa e no letramento midiático. Peça para os alunos investigarem as origens históricas dessa celebração: por que a maior parte dos países escolheu o 14 de fevereiro? Quem foi São Valentim e qual o contexto por trás do seu mito? A partir daí, amplie o horizonte e proponha uma pesquisa documental para descobrir como outros povos lidam com a data. Existem países com tradições completamente diferentes ou até mesmo que proíbem a comemoração?


O produto final dessa investigação pode ser a produção de pequenos artigos de opinião ou infográficos comparativos, trabalhando a capacidade de síntese e a busca por fontes confiáveis.


2. O Novo Marqueteiro da Sala (Projeto de Publicidade)

Se o Dia dos Namorados no Brasil foi uma jogada publicitária para movimentar a economia, que tal desafiar os alunos a assumirem o papel de marqueteiros? Divida a turma em agências de publicidade. O desafio do grupo será escolher um mês do ano que eles considerem "morno" e criar uma data comemorativa inédita que faça sentido para a juventude atual.


Eles precisarão redigir um manifesto com a justificativa histórica (mesmo que inventada), estruturar um público-alvo e criar um slogan persuasivo para vender essa ideia. É uma excelente oportunidade para trabalhar as características dos textos publicitários, o uso de verbos no imperativo e as figuras de linguagem voltadas à persuasão.


3. O Amor além do Romance (Escrita Afetiva e Acolhimento)

Para trabalhar a inteligência emocional e a produção de textos expressivos, a ideia é ressignificar o conceito de "amor", tirando o peso do romance e expandindo-o para o afeto coletivo. Proponha uma dinâmica de escrita de cartões que celebram a amizade, a parceria nos estudos e o respeito mútuo dentro da escola.


Os alunos podem produzir mensagens destacando uma qualidade genuína de um colega da turma. Para garantir que ninguém fique de fora e o ambiente seja de total acolhimento, você pode organizar um sorteio (estilo amigo secreto) ou gerenciar a entrega para que todos recebam um feedback positivo. Essa prática fortalece os vínculos, diminui as barreiras da timidez e trabalha o gênero textual "carta/bilhete" de forma empática.


Conectando com a realidade dos nossos alunos

Sabemos que cada contexto escolar é único e você, melhor do que ninguém, conhece o termômetro da sua turma. Na adolescência, a realidade é mista e complexa: enquanto alguns já estão vivendo os primeiros namoros e borboletas no estômago, muitos não estão nem aí para isso, e outros tantos podem se sentir profundamente deslocados ou excluídos nessa data.


A intenção principal ao trazer esses projetos para o planejamento é garantir que todos possam participar das dinâmicas ativamente, sem constrangimentos ou chateações. Você pode adaptar as propostas, mesclar as ideias ou escolher o caminho que mais se alinha à realidade dos seus alunos.


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